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O Caminho dos Símbolos

Uma obra de arte é o resultado de uma confrontação da realidade de um ser com o seu ideal de melhoramento da condição humana.

Em cada obra o artista, seja ele pintor, escritor, músico, arquitecto ou outro, é confrontado com a lei suprema da harmonia que nos comanda para procurar a beleza nas relações estabelecidas por Deus entre todas as coisas, e tem por missão de a descobrir e revelar aos outros.

Antes de ser representativa, seja ela figurativa ou abstracta, a obra a pintar é, antes de mais, uma superfície plana delimitada pela sua horizontal e a sua vertical a qual será valorizada da maneira mais original e judiciosa possível, por um conjunto de linhas e cores, que a sua natureza nos impõe.

Este espaço escolhido pelo artista ou que lhe é imposto por razões exteriores, deve ser composto com as suas linhas, suas superfícies coloridas e as suas tonalidades, de tal modo que cada um destes elementos contribua para o efeito de conjunto de acordo, com a sua própria emoção a fim de criar uma expressão, uma sensação.

Neste caso particular com a sua dominante decorativa e o seu simbolismo, já existente e adquirido, a minha participação foi de organizar este espaço total com as suas linhas direitas e arabescos, assim como com as suas cores próprias de modo harmonioso introduzindo-lhe o meu saber e a minha sensibilidade.

A GRANDE LOJA REGULAR DE PORTUGAL

O Estandarte da Grande Loja Regular de Portugal

Um Estandarte é uma declaração de intenções. Pela cor e pela forma é indicado um objectivo e projectado um caminho que permitirá atingi-lo.

Com os Símbolos se compõe um texto de muitas leituras, que os vários graus de entendimento permitirá interpretar, atribuindo-lhe o valor necessário para cada momento ou grau de conhecimento.

É como um jogo de pistas em que cada elemento manifestado remete para uma leitura seguinte e o todo nos conduz à mensagem final que, sendo a última de um ciclo, deverá ser a primeira do seguinte.

Mais do que dar respostas, deverá provocar dúvidas, pois são estas que nos motivam para continuar o Caminho. E o Conhecimento só será atingido pela experimentação pessoal da informação recebida.

O acesso ao interior do Templo é o despertar da consciência pessoal. Para que o Caminho se realize, é necessário que, pelos três primeiros passos, saibamos dominar o Instinto, a Emoção e a Razão.

Nos "Tapetes", o caminho é horizontal, representando a marcha pelo mundo revelado e o trabalho sobre a matéria, a Terra e a Água, que permite o domínio dos planos densos.

No Estandarte, o caminho é vertical, interior, conduzindo-nos pelo Fogo e projectando-nos pelo Ar, permitindo a realização do Homem Cósmico que, pelo Pentagrama, desperta em si a Quinta-Essência, activando a percepção extra-sensorial.

V.I.T.R.I.O.L., a primeira informação não explicada quando, na Câmara, reflectindo, somos forçados a meditar sobre Símbolos desconhecidos. "Visita Interiora Terrae Rectificandoque Invenies Occultam Lapidem". Visita o interior da Terra e rectificando encontrarás a pedra oculta.

Nós somos a Terra onde a Pedra nos aguarda. Nós somos o Templo onde a revelação será feita. Não é dominando mas dominando-nos, que conseguiremos conduzir o Bom Combate e atingir o Objectivo que motivou a nossa vinda a este Plano.

Descodificando o Estandarte, saibamos fazer o Caminho. Entre Colunas se entra no Templo.

No Exterior, no mundo profano onde o trigo é o alimento e o astrolábio faz a leitura do Sol que, rodando em programação, indica o movimento ilusório da Terra representada pela Esfera, o Reino impera e a matéria domina. O Instinto conduz a marcha e os sentidos ajudam a determinar o caminho.

A entrada é feita pela dualidade.
À esquerda, a Norte, o trabalho sobre a Terra, pela sobreposição dos círculos, conduz-nos ao domínio do revelado.
À direita, a secção circular da coluna indica-nos o Todo, o Cósmico, que pelo Fogo e pelo Trabalho Justo e Perfeito será atingido.

A Coluna da Esquerda, regida por Saturno e activada pela Energia Telúrica, representa o Rigor necessário para o desbaste da Pedra ou a rectificação do Trabalho.
A Coluna da Direita, regida por Urano, pela Perseverança e pela Tolerância, auxilia-nos na marcha que, pelo Bom Combate, nos conduzirá à realização da Obra.

Sobre ambas, a Força, a Beleza e a Sabedoria, nos seus muitos saberes, revelados nos bagos das três romãs, indicam-nos os trabalhos necessários para transformar a informação em conhecimento e os três passos que nos conduzirão, pela dualidade, ao interior do Templo.

No Tapete, o azul da comunicação ajuda-nos a entender o negro do não revelado e a dominar o manifestado, o Esquadro oculto que, pela Arte Real, permitirá o domínio do Compasso, do Espírito sobre a Matéria, fazendo florescer a Rosa ou as Quinas da Via Crística, abrindo a Porta que pela Corôa, permitirá a comunicação entre os Planos que a Corda separa e liga, através dos laços que fazem a passagem.

A Acácia, sempre verde, indica a eternidade da vida e pela acção da Lua e do Sol, voltará a florir, fazendo a ligação dos Tempos.
A Trindade, revelada como Unidade, será a Porta que permitirá a subida de mais um degrau na Escada que não tem fim. O que foi dito está completo mas não é revelador, porque o oculto não é o que se não vê, mas o que se não entende.


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